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Se você possui um terreno com espaço sobrando nos fundos, você está sentado sobre uma verdadeira mina de ouro. Para o investidor de classe média, que busca sair da volatilidade da bolsa de valores ou da baixa rentabilidade da renda fixa, a construção para renda é uma das estratégias mais sólidas de formação de patrimônio.
No entanto, muitos proprietários cometem o erro de construir o famoso “puxadinho” sem qualquer regularização. O resultado? Multas pesadas, impossibilidade de vender o imóvel através de financiamento bancário e, o pior, dificuldades imensas na hora de registrar o imóvel em cartório. Legalizar uma construção nos fundos não é apenas uma obrigação burocrática, é uma estratégia de valorização imobiliária.
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Neste guia completo, vou mostrar o passo a passo para você transformar aquele espaço vazio em uma fonte de aluguel legalizada e segura.
Por que Legalizar a Construção em vez de fazer na Informalidade?
Construir de forma irregular pode parecer mais barato no curto prazo, mas é um prejuízo certo no longo prazo. Quando você legaliza a sua construção nos fundos, você está protegendo o seu capital.
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Vantagens da Legalização:
- Valorização imediata: Um imóvel com a documentação em dia vale, no mínimo, 30% a mais do que um imóvel irregular.
- Acesso ao Crédito: Se você precisar de um empréstimo usando o imóvel como garantia, ele precisa estar 100% regular.
- Facilidade na Venda: A maioria dos compradores de classe média utiliza o financiamento bancário (FGTS, Caixa, etc.). Os bancos não financiam imóveis com áreas construídas não averbadas.
- Segurança Jurídica: Evita denúncias de vizinhos e embargos da prefeitura que podem paralisar sua obra e gerar multas diárias.
O Primeiro Passo: Consulta de Viabilidade e Zoneamento
Antes de comprar o primeiro saco de cimento, você precisa saber o que a legislação da sua cidade permite. Cada município possui um Plano Diretor e uma Lei de Zoneamento.
Você deve ir à Secretaria de Urbanismo da sua prefeitura (ou acessar o portal online) e solicitar a Ficha Técnica do imóvel. Nela, você descobrirá conceitos fundamentais como:
1. Taxa de Ocupação
É a porcentagem máxima do terreno que pode ser coberta pela construção. Se o seu terreno tem 300m² e a taxa é de 50%, você só pode ocupar 150m² de área no chão.
2. Coeficiente de Aproveitamento
Indica quantas vezes a área do terreno você pode construir no total (somando todos os andares). Isso é essencial se você planeja fazer uma edícula de dois pavimentos.
3. Recuos e Afastamentos
A lei exige que você mantenha uma distância mínima das divisas do terreno e da construção principal. Construir colado no muro sem autorização é um dos erros mais comuns que impedem a regularização posterior.
Passo a Passo para a Legalização da Obra
Para quem busca construir patrimônio real, seguir o rito legal é o que diferencia o amador do investidor profissional. Veja o fluxo correto:
- Contratação de um Profissional Habilitado: Você precisará de um Arquiteto ou Engenheiro Civil. Ele será o responsável técnico (pela elaboração do projeto e pela execução).
- Elaboração do Projeto Arquitetônico: O projeto deve contemplar a casa principal e a nova unidade nos fundos, respeitando as normas de iluminação e ventilação.
- Protocolo na Prefeitura: O profissional submete o projeto para aprovação. Se estiver tudo certo, a prefeitura emite o Alvará de Construção.
- Matrícula da Obra no CNO: É necessário abrir o Cadastro Nacional de Obras junto à Receita Federal para o recolhimento do INSS da mão de obra.
- Execução da Obra: A construção deve seguir rigorosamente o que foi aprovado no projeto.
- Pedido de Habite-se: Após o término da obra, a prefeitura faz uma vistoria para confirmar que você construiu o que prometeu. Se aprovado, é emitido o “Habite-se”.
- Certidão Negativa de Débitos (CND) do INSS: Com o Habite-se em mãos, você regulariza a situação previdenciária da obra.
- Averbação no Cartório de Registro de Imóveis: Este é o passo final e mais importante. Você leva toda a documentação ao cartório para que a nova área construída seja anotada na matrícula do imóvel.
Custos Envolvidos na Regularização
Investir em imóveis exige planejamento financeiro. Não conte apenas com o valor dos materiais e pedreiros. Considere os seguintes custos de legalização:
- Honorários Técnicos: Geralmente calculados por metro quadrado ou porcentagem da obra.
- Taxas Municipais: Taxas de análise de projeto e emissão de alvará.
- ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza): Imposto municipal sobre o serviço de construção.
- INSS da Obra: Contribuição previdenciária calculada sobre a área construída (pode ser reduzida se você comprovar os pagamentos durante a obra).
- Emolumentos de Cartório: Taxas para o registro da averbação.
A Estratégia do Investidor: Construir para Renda
Agora que você sabe como legalizar, vamos ao que interessa: fazer o dinheiro trabalhar para você. Construir nos fundos é uma excelente forma de gerar fluxo de caixa mensal.
Aluguel Residencial Comum
Ideal para quem busca estabilidade. Uma casa de fundos (ou edícula bem estruturada) atrai casais jovens, estudantes ou pessoas solteiras. Se o imóvel estiver legalizado, você pode inclusive fazer contratos de locação mais robustos e seguros.
Aluguel de Curta Duração
Se a sua cidade tem vocação turística ou é um polo de negócios/saúde, você pode mobiliar a unidade e alugar por dias ou semanas. A rentabilidade costuma ser 50% a 100% maior que o aluguel mensal, embora exija mais gestão.
E se a minha construção já estiver pronta e for irregular?
Muitas pessoas chegam até mim com essa dúvida: “Já construí, e agora?”. Existe um processo chamado Regularização de Edificação ou “Anistia Imobiliária” (quando a prefeitura lança leis específicas para perdoar infrações menores).
Nesse caso, o engenheiro fará um “As Built” (levantamento do que foi construído) e tentará adequar a situação perante a prefeitura. Se a construção respeitar as normas básicas de segurança e higiene, é possível obter o Habite-se de regularização. O custo costuma ser um pouco mais elevado devido a multas, mas o ganho patrimonial compensa cada centavo.
Vantagens e Desvantagens de Construir nos Fundos
Para decidir se este é o melhor destino para a sua reserva financeira, avalie os pontos abaixo:
Vantagens:
- Custo de Terreno Zero: Você já é o dono da terra, o que reduz drasticamente o custo total do investimento.
- Aumento de Patrimônio: Você transforma um espaço ocioso em um ativo gerador de renda.
- Flexibilidade: Pode servir para renda, para um escritório próprio ou para um familiar no futuro.
Desvantagens:
- Perda de Privacidade: Se não houver uma entrada independente, você terá circulação de estranhos no seu terreno.
- Obra e Burocracia: Lidar com prefeitura e construção exige paciência e gestão de tempo.
- Aumento do IPTU: Como a área construída aumentou, o valor do imposto anual também subirá proporcionalmente.
Conclusão: O Caminho para a Liberdade Financeira
Legalizar uma construção nos fundos do seu terreno é o primeiro passo para quem quer transitar de um simples poupador para um investidor imobiliário de sucesso. Ao tirar o seu dinheiro da renda fixa — que muitas vezes mal ganha da inflação — e colocá-lo em tijolo e cimento de forma regularizada, você está criando uma herança sólida para sua família.
Lembre-se: no mercado imobiliário, o lucro está na compra e na regularidade. Um imóvel “todo certinho” é dinheiro na mão. Não negligencie a burocracia; use-a a seu favor para valorizar o seu esforço e o seu capital.
Se você tem o espaço e o recurso, o melhor momento para começar o projeto e dar entrada na prefeitura é agora. O mercado de aluguéis continua aquecido e a demanda por moradias compactas e bem localizadas só cresce nas cidades brasileiras.





